PERCEPÇÕES
13 de Maio de 2005
Realizou-se na última semana de Abril, em Lisboa, uma reunião dos Fóruns
Nacionais de ONGs de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal,
Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O encontro foi patrocionado pela
cooperação portuguesa e organizado pela Plataforma (o equivalente ao nosso
Fórum) Portuguesa.
A delegação da LINK era encabeçada pelo Reverendo Lucas Amosse, nosso
Presidente e integrada pelo Coordenador da LINK.
Esta primeira reunião possibilitou uma primeira troca de opiniões entre as
nossas organizações e o início da discussão sobre conteúdos e formas de que
pode revestir, no futuro, a colaboração entre as nossas cidadanias.
Ao Presidente da LINK foi confiada a responsabilidade de, na sessão de encerramento
agradecer, em nome de todos os participantes, o trabalho realizado pelos
colegas portugueses que tornou possível a realização do encontro. O coordenador
da LINK, por sua vez, integrou com Portugal e Timor Leste, a comissão de
redacção do comunicado final, de que vos pretendemos dar alguns pormenores de
seguida.
E passamos a citar do comunicado final, lido na sessão de encerramento na
presença do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Prof. João
Cravinho:
“O processo de que somos parte é uma construção difícil a um tempo e
aliciante noutro. Difícil porque o nosso é um encontro de desencontros.
“Desencontrados pela geografia e pelas prioridades geopolíticas de cada um
dos continentes e subregiões dos quais os nossos países fazem parte, desencontrados
também no que se refere ás fases de desenvolvimento económico, social e
cultural dos nossos países e das sociedades civis que representamos.
“Mas determinados a fazer o encontro aliciante dos propósitos que a
história e a língua condicionaram e por isso com a obrigação de fazer presente
e entregar às gerações de hoje e de sempre o património de que é feito o nosso
passado, presente e sobretudo o nosso futuro.
“Está nas nosas mãos o desafio de provar-mos a nós próprios e ao mundo que
somos capazes de antecipar e construir um futuro recíprocamente vantojoso para
as nossas cidadanias.
“É preciso encorajar e acarinhar – onde já existam – aquelas iniciativas
que promovem a aproximação das nossas realidades e cidadanias. Sobretudo
aquelas donde claramente resulte um maior conhecimento do nosso património
social e cultural comuns, e uma compreensão cada vez maior, por todos e cada um
de nós, das dimensões nacionais específicas de cada um dos nossos países e das
nossas plataformas.
“E é sobretudo aconselhável que suscitemos actividades multilaterais como
bilaterais, sempre que elas sirvam o propósito de consolidação das nossas
cidadanias e se façam em torno de objectivos concretos, ao serviço e em
interacção com comunidades concretas, para tal dispondo de metas e indicadores
concretos desde que tenhamos tido à partida a ousadia de os elaborar em
consulta plena com todas as partes interessadas.
“Podemos e devemos decidir hoje e aqui tornar efectiva e regular esta
reunião de plataformas (Fóruns). Podemos e devemos marcar a próxima sessão
desta plataforma geral das ONGs de Portugal, Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiná
Bissau, Moçambique, São Tomé e Princípe e Timor Leste. Podemos e devemos
suscitar encontros continentais que precedam a próxima sessão da plataforma
geral. Podemos e devemos contribuir todos, de acordo com as nossas
possibilidades, com recursos humanos, materiais e financeiros para que ela seja
económicamente viável.
“Impõe-se-nos agir por uma globalização ao serviço das cidadanias. Uma
globalização sem “globalizadores” poderosos e “globalizados” fragilizados pelas
assimetrias geográficas e sociais que todos conhecemos. Uma globalização que
nos permita ver que há, afinal, um norte em cada sul e um sul em cada norte.
Uma globalização que permita aos segmentos mais vulneráveis das nossas
cidadanias um acesso menos oneroso à internet, aos satélites e à telefonia
fixa. Uma globalização que proporcione a introdução de tecnologias de banda
larga mesmo por aqueles países que no momento não têm condições para o fazer.
Uma globalização que suscite e acarinhe na juventude das nossas cidadanias a
capacidade de ir para além da cultura de utilizadores da Net e determinada a
entrar na mundo da montagem, construção e manutenção dos meios e sistemas
informáticos. Uma globalização promotora de emprego, estabilidade e equidade.”
Fim de citação.
No final da reunião as direcções das organizaçôes representadas em Lisboa
deliberaram delegar as funções do secretariado interino aos colegas
portugueses. O que vai vigorar até à próxima reunião geral. As nossas direcções
deliberaram igualmente adiar para essa próxima reunião a decisão relativa à
criação dum secretariado permanente. Os presentes concordaram, por consenso,
que era mais importante definir conteúdos concretos de cooperação entre as
partes do que proceder, de forma precipitada, à institucionalização dum
secretariado.
A concluir, devemos acrescentar que,
o coordenador da LINK permaneceu mais uma semana em Lisboa onde entre outras
actividades adicionais participou num jantar de trabalho com os colegas do
Fórum Brasileiro, deu uma entrevista à RDP África, teve um encontro de trabalho
com a Direcção do CIDAC (Centro de Informação e Desenvolvimento Amilcar Cabral)
e foi recebido em audiência pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros
Prof. João Cravinho.
Nos encontros mantidos com os colegas Brasileiros, do CIDAD e com o
Secretário de Estado Português foi aflorada a possibilidade de uma maior
cooperação com a LINK e os demais actores da cidadania moçambicana.
Um elemento fundamental desses encontros de trabalho foi o de tentar
encontrar sinergias que viabilizem a continuação da colaboração entre as nossas
cidadanias e Fóruns. O que se revela de maior importância se levarmos em conta
a descontinuidade geográfica que caracteriza a nossa relação e os elevados
custos financeiros que é necessários despender para reunir num único lugar
organizações provenientes de quatro continentes diferentes.
O que na nossa opinião ficaria de alguma forma melhor resolvido se optássemos
por um esquema rotativo, pelo menos entre os países com capacidade e vontade de
organizar a reunião. E, adicionalmente, definissemos as capitais
geográficamente mais bem localizadas para acolher, a uma distância e custo de
transporte mais ou menos equiparado, todos os participantes à reunião. E não é
muito dificíl perceber que os países mais bem colocodas, nessa prespectiva, são Angola e o Brasil.
Vamos ver e trabalhar para ver o que o futuro nos reserva. Com aquelas doses de esperança e realismo que
convêm a sonhos desta grandeza.
Ac.Ac

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