Saturday, November 5, 2011


PERCEPÇÕES
13 de Maio de 2005

Realizou-se na última semana de Abril, em Lisboa, uma reunião dos Fóruns Nacionais de ONGs de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O encontro foi patrocionado pela cooperação portuguesa e organizado pela Plataforma (o equivalente ao nosso Fórum) Portuguesa.

A delegação da LINK era encabeçada pelo Reverendo Lucas Amosse, nosso Presidente e integrada pelo Coordenador da LINK.

Esta primeira reunião possibilitou uma primeira troca de opiniões entre as nossas organizações e o início da discussão sobre conteúdos e formas de que pode revestir, no futuro, a colaboração entre as nossas cidadanias.

Ao Presidente da LINK foi confiada a responsabilidade de, na sessão de encerramento agradecer, em nome de todos os participantes, o trabalho realizado pelos colegas portugueses que tornou possível a realização do encontro. O coordenador da LINK, por sua vez, integrou com Portugal e Timor Leste, a comissão de redacção do comunicado final, de que vos pretendemos dar alguns pormenores de seguida.

E passamos a citar do comunicado final, lido na sessão de encerramento na presença do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Prof. João Cravinho:

“O processo de que somos parte é uma construção difícil a um tempo e aliciante noutro. Difícil porque o nosso é um encontro de desencontros.

“Desencontrados pela geografia e pelas prioridades geopolíticas de cada um dos continentes e subregiões dos quais os nossos países fazem parte, desencontrados também no que se refere ás fases de desenvolvimento económico, social e cultural dos nossos países e das sociedades civis que representamos.

“Mas determinados a fazer o encontro aliciante dos propósitos que a história e a língua condicionaram e por isso com a obrigação de fazer presente e entregar às gerações de hoje e de sempre o património de que é feito o nosso passado, presente e sobretudo o nosso futuro.

“Está nas nosas mãos o desafio de provar-mos a nós próprios e ao mundo que somos capazes de antecipar e construir um futuro recíprocamente vantojoso para as nossas cidadanias.

“É preciso encorajar e acarinhar – onde já existam – aquelas iniciativas que promovem a aproximação das nossas realidades e cidadanias. Sobretudo aquelas donde claramente resulte um maior conhecimento do nosso património social e cultural comuns, e uma compreensão cada vez maior, por todos e cada um de nós, das dimensões nacionais específicas de cada um dos nossos países e das nossas plataformas.

“E é sobretudo aconselhável que suscitemos actividades multilaterais como bilaterais, sempre que elas sirvam o propósito de consolidação das nossas cidadanias e se façam em torno de objectivos concretos, ao serviço e em interacção com comunidades concretas, para tal dispondo de metas e indicadores concretos desde que tenhamos tido à partida a ousadia de os elaborar em consulta plena com todas as partes interessadas.

“Podemos e devemos decidir hoje e aqui tornar efectiva e regular esta reunião de plataformas (Fóruns). Podemos e devemos marcar a próxima sessão desta plataforma geral das ONGs de Portugal, Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiná Bissau, Moçambique, São Tomé e Princípe e Timor Leste. Podemos e devemos suscitar encontros continentais que precedam a próxima sessão da plataforma geral. Podemos e devemos contribuir todos, de acordo com as nossas possibilidades, com recursos humanos, materiais e financeiros para que ela seja económicamente viável.

“Impõe-se-nos agir por uma globalização ao serviço das cidadanias. Uma globalização sem “globalizadores” poderosos e “globalizados” fragilizados pelas assimetrias geográficas e sociais que todos conhecemos. Uma globalização que nos permita ver que há, afinal, um norte em cada sul e um sul em cada norte. Uma globalização que permita aos segmentos mais vulneráveis das nossas cidadanias um acesso menos oneroso à internet, aos satélites e à telefonia fixa. Uma globalização que proporcione a introdução de tecnologias de banda larga mesmo por aqueles países que no momento não têm condições para o fazer. Uma globalização que suscite e acarinhe na juventude das nossas cidadanias a capacidade de ir para além da cultura de utilizadores da Net e determinada a entrar na mundo da montagem, construção e manutenção dos meios e sistemas informáticos. Uma globalização promotora de emprego, estabilidade e equidade.” Fim de citação.

No final da reunião as direcções das organizaçôes representadas em Lisboa deliberaram delegar as funções do secretariado interino aos colegas portugueses. O que vai vigorar até à próxima reunião geral. As nossas direcções deliberaram igualmente adiar para essa próxima reunião a decisão relativa à criação dum secretariado permanente. Os presentes concordaram, por consenso, que era mais importante definir conteúdos concretos de cooperação entre as partes do que proceder, de forma precipitada, à institucionalização dum secretariado.

A  concluir, devemos acrescentar que, o coordenador da LINK permaneceu mais uma semana em Lisboa onde entre outras actividades adicionais participou num jantar de trabalho com os colegas do Fórum Brasileiro, deu uma entrevista à RDP África, teve um encontro de trabalho com a Direcção do CIDAC (Centro de Informação e Desenvolvimento Amilcar Cabral) e foi recebido em audiência pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros Prof. João Cravinho.

Nos encontros mantidos com os colegas Brasileiros, do CIDAD e com o Secretário de Estado Português foi aflorada a possibilidade de uma maior cooperação com a LINK e os demais actores da cidadania moçambicana.

Um elemento fundamental desses encontros de trabalho foi o de tentar encontrar sinergias que viabilizem a continuação da colaboração entre as nossas cidadanias e Fóruns. O que se revela de maior importância se levarmos em conta a descontinuidade geográfica que caracteriza a nossa relação e os elevados custos financeiros que é necessários despender para reunir num único lugar organizações provenientes de quatro continentes diferentes.

O que na nossa opinião ficaria de alguma forma melhor resolvido se optássemos por um esquema rotativo, pelo menos entre os países com capacidade e vontade de organizar a reunião. E, adicionalmente, definissemos as capitais geográficamente mais bem localizadas para acolher, a uma distância e custo de transporte mais ou menos equiparado, todos os participantes à reunião. E não é muito dificíl perceber que os países mais bem colocodas,  nessa prespectiva, são Angola e o Brasil.

Vamos ver e trabalhar para ver o que o futuro nos reserva.  Com aquelas doses de esperança e realismo que convêm a sonhos desta grandeza.

Ac.Ac






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